HDT tem projeto aprovado em edital de gestão hospitalar da Rede de Pesquisa e Extensão dos HUFs

Foco está em populações vulneráveis, considerando determinantes sociais e buscando soluções aplicáveis e sustentáveis para o SUS Foi divulgado nesta quarta-feira (20) o resultado do edital do Programa Rede de Pesquisa e Extensão dos Hospitais Universitários Federais (Rede HU+). Foram selecionados 52 projetos voltados ao desenvolvimento de pesquisas, à formação de recursos humanos altamente qualificados e à geração de soluções inovadoras para a gestão hospitalar e para as demandas prioritárias da saúde pública brasileira. A iniciativa é fruto de parceria entre a HU Brasil, a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde (SCTIE), do Ministério da Saúde (MS). O resultado pode ser acessado aqui. No eixo estratégico Doenças Negligenciadas, o Hospital de Doenças Tropicais da Universidade Federal do Norte do Tocantins (HDT-UFNT/HU Brasil) teve um de seus projetos contemplados pela seleção, com o título “Integração ensino-serviço-comunidade e fortalecimento da gestão hospitalar no manejo de Pessoas Vivendo com HIV/AIDS (PVHA) acometidas por doenças oportunistas”. De acordo com a chefe do Setor de Gestão da Pesquisa e Inovação Tecnológica em Saúde do HDT-UFNT, Patrícia Mendonça, a proposta é extremamente relevante para a unidade, pois fortalece a integração entre assistência, ensino, pesquisa e gestão hospitalar. “O fomento permite ampliar a capacidade do HDT de atuar como referência regional em doenças infecciosas e negligenciadas, promovendo impacto direto na qualidade do cuidado ofertado aos pacientes do SUS. O projeto contemplado possui grande relevância estratégica e social, pois aborda o cuidado às pessoas vivendo com HIV/AIDS acometidas por doenças oportunistas, uma realidade frequente e complexa na região amazônica”, ressalta. Mendonça acrescenta que a proposta se destaca por integrar ensino, serviço e comunidade, promovendo qualificação profissional, revisão de protocolos, ações de educação em saúde e fortalecimento da gestão hospitalar. “Outro diferencial é o foco em populações vulneráveis, considerando determinantes sociais e buscando soluções aplicáveis e sustentáveis para o SUS. Iniciativas como essa fortalecem não apenas a assistência, mas também a capacidade institucional do hospital e da UFNT na condução de grandes estudos científicos. O projeto contribui para a inovação, a formação de recursos humanos e a melhoria contínua dos serviços prestados no HU, além de consolidar o papel do hospital universitário como espaço de transformação social e produção de conhecimento”, complementa a gestora. Integração Segundo o professor Taides Tavares, diretor da Faculdade de Ciências da Saúde (FCS-UFNT), a proposta possibilita a integração de ações de gestão, ensino, pesquisa e extensão entre o HDT e a Universidade Federal do Norte do Tocantins, sobretudo em relação ao curso de Medicina e ao Programa de Pós-graduação em Sanidade Animal e Saúde Pública nos Trópicos (PPGSaspt). “Estarão à frente da condução do projeto equipes de pesquisa do HDT e da UFNT/PPGSaspt. É muito gratificante ver o empenho da rede HU Brasil em incentivar a integração entre os hospitais que compõem a rede e as universidades e programas de pós-graduação, com vistas à produção de conhecimento e ao desenvolvimento de soluções inovadoras, que contribuirão não apenas para o fortalecimento da rede, mas também para o SUS como um todo. Nossa expectativa é de que tenhamos um projeto muito frutífero, que agregue novos conhecimentos, práticas e vivências, além de fortalecer ainda mais as pesquisas sobre pessoas vivendo com HIV/AIDS na região e no país”, ressalta Taides. Rede HU+ O Programa Rede HU+ tem como objetivo investir em projetos voltados ao fortalecimento da gestão hospitalar, priorizando a formação de redes colaborativas e a qualificação de recursos humanos por meio da concessão de bolsas de iniciação à extensão, mestrado, doutorado e pós-doutorado. A previsão é de investimento de R$ 75 milhões nas propostas selecionadas ao longo de cinco anos. Ao todo, os projetos contemplados receberão pelo menos 450 bolsas acadêmicas e de pesquisa. Os trabalhos selecionados foram desenvolvidos nas cinco regiões do país, sendo 14 nas regiões Centro-Oeste e Norte, 19 no Nordeste e 19 nas regiões Sudeste e Sul.  O lançamento da Rede HU+ superou as expectativas e recebeu 180 propostas, mais de três vezes o número de vagas ofertadas. Os trabalhos são baseados em sete eixos temáticos previstos no edital: Saúde da População em Situação de Vulnerabilidade, Saúde da Mulher, Saúde Digital, Oncologia, Doenças Negligenciadas, Doenças Raras e Saúde Indígena.

MEI cresce em Goiás, mas enfrenta desafios

Estudo do Sebrae revela avanços e aponta necessidade de políticas de apoio como capacitação, crédito e acesso à digitalização para microempreendedores individuais O mais recente estudo do Sebrae Goiás sobre os microempreendedores individuais (MEIs), mostra que o segmento continua em expansão no Brasil e no estado, consolidando-se como uma das principais portas de entrada para o empreendedorismo. Segundo o “Perfil do MEI em Goiás – 2026”, o número de formalizações segue em alta, refletindo a busca por autonomia financeira e alternativas diante das dificuldades do mercado de trabalho. O diretor superintendente do Sebrae Goiás, Antônio Carlos de Souza Lima Neto, destaca a importância do MEI para a economia nacional. “O microempreendedor individual é hoje um dos pilares da geração de renda e da inclusão produtiva. Precisamos garantir que esse modelo continue sendo sustentável e capaz de oferecer condições de crescimento”, afirma. Ele reforça o papel estratégico do MEI não apenas como solução individual, mas como política pública de impacto coletivo. O estudo mostra que o estado reúne mais de 634 mil MEIs formalizados, dos quais mais de 518 mil estão ativos. Isso representa mais da metade (54%) do universo dos pequenos negócios goianos, consolidando o MEI como peça-chave na geração de renda e dinamização da economia local. O relatório mostra que os MEIs estão principalmente no setor de Serviços (55%), seguido por Comércio (25%), Indústria (10%), Construção (9%) e Agricultura (1%). Os municípios goianos com maior quantitativo de MEIs ativos estão com forte concentração em Goiânia e na Região Metropolitana, seguidos por Anápolis, Rio Verde e Valparaíso de Goiás. A maioria de empresas cadastradas como microempreendedores individuais é de homens, 56%, enquanto as mulheres somam 44%. Beleza, alimentação, comércio de vestuário, publicidade e transporte são as atividades mais comuns. Em relação à dinâmica empresarial, o tempo médio de vida de um MEI em Goiás é de 3,2 anos. Já a taxa de mortalidade desses empreendimentos é de 59% em cinco anos. Os dados apresentados no relatório reforçam a contribuição do MEI para a formalização de empreendedores. Milhares de brasileiros encontraram no modelo uma forma de garantir direitos previdenciários e acesso a benefícios, além de ampliar a competitividade de seus negócios. Essa formalização é fundamental para reduzir desigualdades e fortalecer a economia goiana. O estudo pode ser baixado gratuitamente aqui: https://lojavirtual.sebraego.com.br/loja/biblioteca-digital/10627-perfil-do-mei-em-goias-2026

FliMinas estreia em Minas com foco em diversidade cultural

Primeira edição do encontro reúne autores nacionais e internacionais e espera até 300 mil visitantes Belo Horizonte será a casa da primeira edição do Festival Literário Internacional de Minas Gerais (FliMinas), entre os dias 07 e 15 de junho. A confirmação veio após o evento de lançamento da iniciativa, realizado na Biblioteca Pública Estadual de Minas Gerais. Agora que foi dada a largada, começa a contagem regressiva para o que se propõe a ser um dos principais encontros literários do país. A proposta do FliMinas surgiu em um contexto no qual o debate sobre acesso à cultura e formação de leitores ganha relevância ampliada. Assim como ocorre em outras áreas, em que avanços aparentes revelam novos desafios estruturais, a expansão do consumo cultural não elimina, por si só, lacunas históricas de formação e acesso. Nesse sentido, o festival se posiciona como plataforma de integração entre produção literária, educação e políticas de democratização cultural, buscando transformar volume de público em impacto efetivo na formação de leitores. Durante a apresentação institucional, foram detalhados os eixos que estruturam o evento, previsto para ocorrer entre 7 e 13 de junho de 2026, no Expominas, em Belo Horizonte. A programação contempla atividades presenciais e digitais, com palestras, debates, oficinas, sessões de autógrafos e ações educativas. A expectativa é receber cerca de 300 mil visitantes ao longo dos sete dias, além de reunir mais de 700 editoras e 152 expositores, incluindo autores independentes, educadores e profissionais da cadeia produtiva do livro. Idealizador do festival e diretor da HPL Produção e Eventos, Humberto Paes Leme destacou a ênfase na inclusão de novos autores no mercado editorial. “Durante o FliMinas, vamos transformar o evento em uma grande livraria, oferecendo espaço e oportunidades para que esses autores possam expor e comercializar seus trabalhos. Queria salientar que a iniciativa busca corrigir assimetrias históricas de visibilidade e ampliar o alcance da produção independente”, esclarece. Outro eixo estratégico apresentado envolve a valorização de profissionais da mediação de leitura. “Estamos construindo, junto à equipe da Júlia e da Secretaria, um encontro de bibliotecários dentro do evento, oferecendo estrutura e condições técnicas adequadas para esse público”, disse Paes Leme. A programação também incorpora ações de aproximação entre cultura e outras áreas, como o esporte. “Estamos em período de Copa do Mundo e percebemos o quanto o esporte também pode aproximar jovens da leitura”, afirmou, ao mencionar parcerias com clubes como Cruzeiro e Atlético para ações interativas. Ao encerrar a cerimônia, o organizador reforçou a ambição de posicionar Belo Horizonte como polo literário. “Estamos trabalhando intensamente para entregar um grande evento. Tenho convicção de que estamos conquistando um espaço importante no cenário nacional porque Belo Horizonte e Minas Gerais merecem isso”, declarou. Com impacto esperado na economia criativa e no turismo cultural, o FliMinas se apresenta como uma aposta estruturada na articulação entre cultura, educação e desenvolvimento econômico. Apoios e Realização O Festival Literário Internacional de Minas Gerais – FliMinas tem o patrocínio da Recebe Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais (Codemge). Uma realização da HPL Eventos. O sistema oficial de vales-livro é operado pela HPL Sistemas e a plataforma oficial de vendas também é da HPL Tickets. O evento conta com o apoio da CBL – Câmara Brasileira do Livro, ABDL – Associação Brasileira de Difusão do Livro, CML – Câmara Mineira do Livro, ANL – Associação Nacional de Livrarias e ASALEMG – Associação das Academias de Letras de Minas Gerais. Também apoiam a iniciativa o PLIN – Palco da Literatura Independente, Instituto Abrapalavra, Conselho Regional de Biblioteconomia Região da 6ª Região – CRB-6, Cineart, Café Três Corações, Sebrae Minas, Metrô BH, MS Agência de Viagens, IBI Literário e Inko Criativo – Escola de Mídias Criativas. O evento conta também apoio institucional da Prefeitura de Belo Horizonte, através da Belotur, Secretaria Municipal de Educação e Fundação Municipal de Cultura, e do Governo de Minas Gerais, através das Secretarias de Estado de Educação de Minas Gerais e Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais, SEBP – Sistema Estadual de Bibliotecas Públicas e Biblioteca Pública Estadual de Minas Gerais. A iniciativa ainda conta com parceria cultural do Instituto PSIA, Editora Estrela Cultural, Clube do Livro de BH, Zona Literária Independente de BH, além de incentivo cultural do Ministério da Cultura e do Governo Federal, por meio da Lei Rouanet.

Inteligência Artificial promove escalada de desinformação no Brasil

Uso de IA em fake news cresce 308% em um ano e acende o alerta para a disseminação de informações manipuladas nas Eleições 2026 A desinformação no Brasil entrou em uma nova era: mais sofisticada, ágil e difícil de detectar. É isso o que mostra a primeira edição do Panorama da Desinformação no Brasil. Entre 2024 e 2025, a produção e a disseminação de conteúdos falsos com uso de inteligência artificial cresceram 308%. A escalada não é apenas quantitativa. O estudo inédito feito pelo Observatório Lupa mostra que a tecnologia deixou de ser experimental para se tornar uma ferramenta recorrente de manipulação informacional: 81,2% das fake news com o uso de IA surgiram nos últimos dois anos. Os conteúdos falsos vão desde notícias inteiramente fabricadas por geradores de imagem até deepfakes (vídeos hiper-realistas que simulam falas e expressões de figuras públicas). Em 2025, 45% dessas divulgações tinham viés ideológico, contra 33% em 2024. Para especialistas em Direito Eleitoral, o fenômeno representa uma mudança estrutural no ambiente democrático e acrescenta uma camada extra de preocupação em ano de eleições. “A inteligência artificial não só ampliou o volume de desinformação como elevou o grau de credibilidade desse tipo de conteúdo. O eleitor não está mais lidando com boatos grosseiros, mas com materiais que imitam perfeitamente a realidade”, analisa Roosevelt Arraes, advogado com mais de 20 anos de experiência em Direito Eleitoral e diretor da Escola Paranaense de Direito. Velocidade da desinformação desafia o sistema Nos últimos anos, o Brasil fortaleceu a capacidade de resposta à disseminação de fake news e informações manipuladas. A Justiça Eleitoral ampliou sua atuação na remoção de conteúdos, firmou acordos com plataformas digitais e consolidou entendimentos importantes, como o de que não apenas conteúdos falsos, mas também informações verdadeiras fora de contexto podem ser consideradas irregulares. Ainda assim, há muito a se fazer, já que o uso de automação e a inteligência artificial trouxeram mais agilidade à produção e ao compartilhamento de conteúdo manipulado. Segundo Roosevelt Arraes, os perfis automáticos (bots), que funcionam em larga escala e sem análise crítica humana, são um ponto de atenção. O recurso é usado para espalhar informações sem checagem. “Esses perfis são automatizados e divulgam conteúdos de maneira massiva, sem análise crítica humana. Como isso pode favorecer o compartilhamento de desinformação e representar um risco para a qualidade do debate eleitoral, o ideal é que sejam removidos.” Na avaliação do advogado Luiz Gustavo de Andrade, membro da Comissão de Direito Eleitoral da OAB/PR e vice-presidente da Conferencia Americana de Organismos Electorales Subnacionales por la Transparencia Electoral (CAOESTE), o desafio é agir antes que a desinformação ou qualquer tipo de material manipulado se espalhe. “O país não está desprotegido legalmente. Existem instrumentos jurídicos relevantes, como o direito de resposta, a remoção de conteúdo das plataformas digitais e a responsabilização civil e criminal. O problema é que a dinâmica digital opera em outra velocidade”, analisa Andrade, que também é professor na Escola Paranaense de Direito. Expectativas para as Eleições 2026 As Eleições 2026 devem enfrentar um novo patamar de desinformação e um aumento significativo na circulação de conteúdos manipulados. “A desinformação deixou de ser artesanal. Hoje, ela é escalável, segmentada e muitas vezes invisível aos mecanismos tradicionais de controle. Além da automação da disseminação e da capacidade da IA de gerar materiais altamente realistas, a tecnologia também reduziu drasticamente o custo de produção das fake news”, diz Roosevelt Arraes, doutor em Filosofia Jurídica e Política. Outra discussão importante é a mudança nas táticas utilizadas. Em vez de fake news explícitas, as estratégias estão cada vez mais sutis e envolvem a manipulação de informações. Em muitos casos, explica o advogado, os conteúdos são verdadeiros, mas apresentados fora de contexto: cortes seletivos das falas com distorção do sentido original, deepfakes “suficientemente convincentes” para gerar dúvida, sobrecarga informacional (o chamado “flood de conteúdo”) e disseminação em redes fechadas, como grupos de WhatsApp e Telegram. De acordo com o advogado Luiz Gustavo de Andrade, a estratégia, nesses casos, não é convencer, mas confundir. “O objetivo de quem produz e divulga desinformação é criar dúvida, o que já é suficiente para influenciar o comportamento do eleitor”, comenta o especialista, membro do Instituto Paranaense de Direito Eleitoral. Responsabilização existe, mas não é automática A legislação brasileira prevê responsabilização para quem produz ou dissemina desinformação, especialmente em contexto eleitoral. As penalidades podem incluir o pagamento de indenizações, enquadramento por propaganda irregular e até crimes como calúnia e difamação. “A Justiça Eleitoral tende a distinguir quem estrutura e impulsiona a desinformação de quem apenas compartilha. A responsabilização depende de fatores como intenção, alcance e impacto”, explica Roosevelt Arraes, vice-presidente da comissão de Direito Eleitoral e coordenador de Direito Eleitoral da Escola Superior da Advocacia da OAB/PR. Diante desse cenário, reforça o especialista em Direito Eleitoral, o eleitor assume um papel decisivo. Se antes ele era apenas receptor, hoje também é vetor de disseminação. “Interromper o impulso de compartilhar é uma das atitudes mais eficazes contra a desinformação. A velocidade de propagação depende diretamente do comportamento das pessoas”, finaliza. Checklist rápido para identificar fake news Antes de compartilhar qualquer conteúdo, vale passar por este filtro simples e eficaz: 1.      Quem ganha com essa divulgação? Toda informação atende a algum interesse. 2.      A informação está em mais de uma fonte confiável? Se a postagem só aparece em grupos ou perfis isolados, desconfie. 3.      A postagem é completa ou apenas um recorte? Conteúdo fora de contexto é uma das formas mais comuns de manipulação. 4.      A “notícia” é atual ou é algo antigo reutilizado? Informações antigas frequentemente são recicladas para enganar o eleitor. 5.     O conteúdo provoca reação emocional imediata? Se a informação gera indignação instantânea, vale redobrar a cautela. Segundo Luiz Gustavo de Andrade, observador de processos eleitorais internacionais, a disputa contra a desinformação não é estática e evolui na mesma velocidade da tecnologia. “O Brasil chega às Eleições 2026 com um arcabouço jurídico mais robusto, mas também enfrenta um ambiente digital muito mais complexo.” Nesse novo contexto, tanto Andrade quanto Arraes são enfáticos: a integridade do processo eleitoral depende não apenas das

Criei como filho, agora sou obrigado a pagar pensão? Entenda a paternidade socioafetiva

O advogado Daniel Romano Hajaj esclarece que nem toda relação de carinho necessariamente deve gerar obrigação alimentar permanente A pensão socioafetiva vem se tornando um dos temas mais delicados e polêmicos do Direito de Família brasileiro — e muita gente ainda não percebeu o tamanho do impacto que isso pode gerar na própria vida. O que antes era visto apenas como um gesto de carinho, convivência e apoio emocional, hoje pode produzir consequências jurídicas extremamente sérias, incluindo obrigação de pagar pensão alimentícia, direitos sucessórios e reconhecimento formal de filiação. Nos últimos anos, os tribunais brasileiros passaram a reconhecer cada vez mais a chamada paternidade socioafetiva, situação em que alguém exerce, na prática, a função de pai ou mãe, mesmo sem vínculo biológico. E isso acontece com frequência em famílias recompostas, principalmente nos casos envolvendo padrastos, madrastas e pais de criação. Segundo o advogado Daniel Romano Hajaj, especialista em direito de família, o crescimento dessas ações revela uma mudança profunda na forma como a Justiça brasileira enxerga os laços familiares. “Hoje, o afeto possui enorme relevância jurídica. O Judiciário passou a analisar muito mais a realidade da convivência do que apenas o vínculo sanguíneo. Em muitos casos, quem criou, educou, sustentou e exerceu efetivamente o papel parental acaba assumindo também responsabilidades legais”, explica o advogado Daniel Romano Hajaj. Segundo ele, o problema é que muitas pessoas sequer imaginam que determinadas atitudes podem futuramente ser usadas como prova de vínculo socioafetivo. Fotografias em datas comemorativas, mensagens, testemunhos, dependência em plano de saúde, participação ativa na criação da criança, custeio de despesas e até a forma como a criança chamava aquela pessoa no ambiente familiar podem acabar sendo analisados pela Justiça. “Na prática, isso significa que um padrasto que exerceu durante anos uma figura paterna poderá, em determinadas circunstâncias, ser acionado judicialmente para pagamento de pensão alimentícia. E o mais impactante: em alguns casos, a obrigação pode coexistir até mesmo com a do pai biológico”. O advogado pontua que o grande ponto de debate hoje é justamente o limite entre o afeto e a responsabilização jurídica. “Nem toda relação de carinho necessariamente deve gerar obrigação alimentar permanente. Cada caso precisa ser analisado com extremo cuidado”, alerta o advogado Daniel Romano Hajaj. O tema ganhou ainda mais força após decisões recentes do Superior Tribunal de Justiça reconhecendo vínculos socioafetivos até mesmo após a morte do padrasto, inclusive com reflexos patrimoniais e sucessórios. Isso ampliou significativamente o debate sobre os efeitos da parentalidade afetiva no Brasil. Para especialistas, existe um verdadeiro conflito entre dois valores importantes: de um lado, a proteção emocional e material da criança ou adolescente; de outro, a necessidade de segurança jurídica para evitar que relações afetivas sejam automaticamente transformadas em obrigações vitalícias. “Outro ponto extremamente relevante é que a pensão socioafetiva não surge de forma automática. A Justiça normalmente analisa uma série de elementos para verificar se existia, de fato, uma relação consolidada de pai e filho. O tempo de convivência, a dependência emocional, a publicidade daquela relação perante familiares e amigos e a estabilidade do vínculo costumam ter peso decisivo nas decisões”. De acordo com o advogado Daniel Romano Hajaj, o aumento dessas discussões mostra como o Direito de Família está cada vez mais conectado às transformações sociais. “As estruturas familiares mudaram muito nas últimas décadas. Hoje existem famílias recompostas, vínculos múltiplos e relações construídas pelo afeto. O desafio da Justiça é equilibrar a proteção familiar sem gerar insegurança jurídica”, afirma Daniel Romano Hajaj. Enquanto o tema continua evoluindo nos tribunais superiores, cresce também o número de pessoas surpreendidas por ações envolvendo reconhecimento de filiação socioafetiva, pensão e até herança. E justamente por isso, especialistas alertam que entender os efeitos jurídicos dessas relações deixou de ser apenas uma curiosidade — virou uma necessidade real dentro das famílias brasileiras.

Idosos, quedas e acidentes : o que “Quem Ama Cuida”- ensina sobre ajuda e socorro

Nem toda pessoa que cai deve ser levantada na hora; movimentar de forma inadequada pode agravar fraturas e outras lesões A nova novela da Globo, Quem Ama Cuida, colocou em cena um problema muito presente na rotina de milhares de famílias brasileiras: a queda de uma pessoa idosa. Embora seja uma situação aparentemente simples, esse tipo de acidente exige atenção imediata, porque a forma como a vítima é socorrida pode fazer diferença entre uma recuperação segura e uma complicação grave. No capítulo exibido nesta semana, o personagem de Antônio Fagundes, um senhor com dificuldade de locomoção que usa andador, cai e é socorrido pela enfermeira interpretada por Leticia Colin. A cena chama atenção não apenas pelo enredo, mas pelo tema que expõe: saber como agir diante de uma queda é parte essencial do cuidado com idosos. O impulso de levantar a pessoa rapidamente costuma ser automático. Quem está por perto quer ajudar, quer aliviar a dor e quer resolver a situação o mais rápido possível. O problema é que esse reflexo, embora bem-intencionado, pode ser perigoso. Em casos de suspeita de fratura, trauma na cabeça, dor intensa ou dificuldade para mover braços e pernas, qualquer movimentação inadequada pode agravar o quadro. Segundo a fisioterapeuta, Dra. Mariana Milazzotto, esse é justamente um dos principais pontos de alerta. “A vontade de ajudar é imediata, mas nem sempre a primeira atitude correta é levantar a pessoa. Antes de qualquer movimento, é preciso observar se ela está consciente, se sente dor, se houve batida na cabeça e se consegue mexer braços e pernas sem dificuldade”, afirma. Um problema frequente e subestimado As quedas estão entre os acidentes mais comuns e mais graves na população idosa. Só em 2024, o Brasil registrou 179.922 internações de pessoas com 60 anos ou mais por quedas, além de 13.385 mortes associadas a esse tipo de acidente. Em recorte anterior divulgado pelo Ministério da Saúde, os primeiros oito meses de 2024 já somavam 122.195 internações e 93.518 atendimentos ambulatoriais de idosos por quedas, o que ajuda a dimensionar o tamanho do problema. Esses números ajudam a explicar por que a cena da novela conversa com a realidade de tantas famílias. Em idosos, uma queda não é apenas um tropeço. Ela pode significar fratura de quadril, lesão na coluna, trauma craniano, perda de autonomia e necessidade de internação. Em alguns casos, a consequência vem não só da queda em si, mas da movimentação feita logo em seguida, sem avaliação adequada. A Dra. Mariana ressalta que a situação exige leitura cuidadosa. “Nem toda queda é leve. Há casos em que a pessoa parece bem no primeiro momento, mas apresenta lesão importante que só piora quando alguém tenta colocá-la em pé ou sentá-la sem critério”, diz. O que fazer primeiro A orientação inicial é manter a calma e não agir por impulso. O primeiro passo é conversar com a pessoa, observar se ela responde normalmente e identificar se há dor, sangramento, tontura, confusão mental ou dificuldade para mover o corpo. Se houver suspeita de fratura, trauma na cabeça, dor forte ou incapacidade de se levantar, o mais seguro é não tentar movimentar a vítima e acionar atendimento médico. O SAMU, pelo número 192, deve ser chamado quando a pessoa não consegue ficar em pé, está sonolenta, apresenta falta de ar, sangramento importante ou dor intensa em alguma região do corpo. Quando a vítima está consciente, sem sinais de gravidade e sem suspeita de fratura, o auxílio pode acontecer de forma gradual e cuidadosa, sempre sem puxar pelos braços, sem forçar a coluna e sem levantar de forma brusca. Em idosos, qualquer esforço inadequado pode piorar uma lesão já existente. “A primeira ajuda é observar. A segunda é proteger. Só depois, se for o caso, pensar em levantar”, resume a médica. Os sinais que exigem atenção Alguns sinais indicam que a queda pode ter sido mais grave do que parece: Quando esses sinais aparecem, a recomendação é evitar qualquer tentativa de colocar a pessoa em pé até a avaliação profissional. O erro mais comum dentro de casa Na prática, a maior dificuldade costuma estar dentro da própria família. Quem presencia a queda quer agir rápido, tenta erguer a pessoa pelo braço, pede para ela sentar ou insiste para que caminhe logo em seguida. O problema é que essa pressa pode transformar uma situação controlável em um quadro mais grave. Em idosos, a queda já representa um evento de risco. Se houver fratura, lesão muscular, trauma de coluna ou comprometimento neurológico, a movimentação imprópria pode piorar a dor, deslocar os ossos e atrasar a recuperação. A fisioterapeuta explica que o cuidado precisa ser guiado pela avaliação dos sinais, e não pelo susto do momento. “A pressa em ajudar pode custar caro. O que parece um gesto de cuidado, sem técnica, pode aumentar muito o dano”, afirma. O ponto central é simples, mas essencial: nem toda pessoa que caiu deve ser levantada na hora. Em alguns casos, o cuidado mais correto é justamente não movimentar, observar e acionar ajuda especializada. A Dra. Mariana Milazzotto lembra que o envelhecimento exige mais atenção a esse tipo de acidente. “Uma queda pode parecer um evento isolado, mas em idosos ela pode marcar o início de uma perda importante de autonomia. Por isso, saber socorrer da forma correta faz toda a diferença”, diz.

Diabetes além do físico: 70% dos brasileiros que vivem com a condição relatam impacto emocional significativo da doença

Levantamento inédito da Global Wellness Institute (GWI) aponta ainda que a imprevisibilidade da glicemia afeta a saúde mental, o sono e a rotina diária dos pacientes Com 16,6 milhões de adultos diagnosticados, o Brasil ocupa a 6ª posição mundial em casos de diabetes, segundo o Atlas Global do Diabetes 2025 da International Diabetes Federation (IDF). Esse cenário reforça a urgência do diagnóstico precoce e do acompanhamento médico contínuo para evitar complicações. Contudo, os desafios vão além da questão clínica: a doença impacta severamente a saúde emocional, como demonstra um novo levantamento* do GWI (Global Wellness Institute) em parceria com a Roche Diagnóstica sobre a realidade dos pacientes no país. O fardo na saúde mental e na rotina De acordo com os dados, 70% dos brasileiros com diabetes afirmam que a condição afeta significativamente seu bem-estar emocional, número que sobe para 77% entre pacientes com diabetes tipo 1. Além disso, o estudo revela um cenário de constante tensão: 78% relatam ansiedade ou preocupação com o futuro, enquanto 2 em cada 5 dizem sentir solidão ou isolamento devido à doença. A rotina também é impactada de forma prática e cotidiana. Mais da metade dos entrevistados (56%) afirma que o diabetes limita a capacidade de passar o dia fora de casa, enquanto 46% relatam dificuldades em situações comuns, como trânsito ou reuniões longas. O impacto se estende até o descanso: 55% dizem não acordar plenamente descansados, refletindo os efeitos das variações glicêmicas durante a noite. “O estresse emocional, a ansiedade e noites mal dormidas, por exemplo, elevam os hormônios que são contrários à produção da insulina, como o cortisol, hormônio de crescimento, adrenalina e glucagon. Esses hormônios aumentam a glicose no sangue. Então, a pressão psicológica pode descompensar o diabetes, mesmo que esteja seguindo corretamente o tratamento. São fatores que fazem a glicose subir ou a glicose cair”, explica o Dr. Márcio Krakauer, médico endocrinologista e coordenador do Departamento de Tecnologia, Saúde Digital e Inovação da Sociedade Brasileira de Diabetes. A lacuna de confiança e a busca por previsibilidade Apesar dos avanços no cuidado, o estudo indica que o modelo atual ainda não atende plenamente às necessidades dos pacientes. Apenas 35% se sentem muito confiantes no gerenciamento da própria condição, evidenciando lacunas no controle e na previsibilidade da doença. Nesse contexto, surge uma demanda clara por inovação. Quase metade dos entrevistados (44%) aponta que tecnologias mais inteligentes, capazes de prever mudanças nos níveis de glicose, deveriam ser prioridade. Entre aqueles que utilizam apenas medidores tradicionais – os glicosímetros, conhecidos também como “teste de ponta de dedo” -, 46% afirmam que alertas preditivos seriam o principal incentivo para adotar o sensor de monitoramento contínuo de glicose (CGM). A previsibilidade aparece como um divisor de águas no cuidado com o diabetes. Mais da metade dos participantes (53%) considera a capacidade de prever níveis futuros de glicose como a principal funcionalidade desejada em soluções com IA. Entre pacientes com diabetes tipo 1, esse número chega a 68%. Além disso, o estudo mostra que 56% dos entrevistados brasileiros afirmam que se sentiriam mais no controle da doença ao ter acesso a tendências antecipadas dos níveis de glicose, enquanto 48% destacam que a redução de surpresas, como picos e quedas inesperadas, teria impacto direto na qualidade de vida. Entre os pacientes com diabetes tipo 1, a percepção de valor é ainda mais expressiva: 95% consideram fundamentais ferramentas capazes de prever eventos como hipoglicemia ou hiperglicemia, reforçando a importância de soluções mais inteligentes e preditivas no manejo da condição. “O diabetes exige decisões constantes ao longo do dia, em especial o do tipo 1, que é uma doença de previsibilidade. Tudo o que acontece com o diabetes tipo 1 tem que ser tentado prever ou, pelo menos, ter uma ideia, porque as pessoas têm que se antecipar nas atitudes e escolhas que terão ao longo do dia, tanto na alimentação, como na dose do medicamento ou na atividade física. Tudo tem que ser antecipado para evitar problemas de alta ou de baixa glicêmica. Então, ter ferramentas que disponibilizem essas previsões é bastante valioso na rotina de quem vive com esta condição”, afirma o Dr. Krakauer. *Sobre a pesquisa do GWI com a Roche Diagnóstica A pesquisa é baseada em dados de um estudo conduzido pela GWI, encomendado pela Roche, em setembro de 2025, que explorou percepções sobre o diabetes, a vida com a doença e as ferramentas de manejo. O estudo ouviu 4.326 pessoas com diabetes, com 16 anos ou mais, em nível global, como parte de uma pesquisa mais ampla com 16.310 usuários de internet em 22 países. Os mercados incluídos são Austrália, Áustria, Bélgica, Brasil, Chile, Croácia, República Tcheca, Dinamarca, Alemanha, Hong Kong, Índia, Japão, Kuwait, Países Baixos, Polônia, Portugal, Romênia, Arábia Saudita, África do Sul, Espanha, Turquia e Reino Unido.

Projeto de lei para banir o foie gras está a um passo de entrar em vigor; falta apenas a sanção de Lula

PL 90/2020 segue para sanção presidencial após mobilização de organizações de proteção animal; Fórum Animal acompanhou e apoiou a tramitação da proposta no Congresso Nacional. O avanço do Projeto de Lei 90/2020 no Congresso Nacional reacendeu o debate sobre a produção e comercialização de foie gras no Brasil. A proposta, que proíbe produtos obtidos por meio da alimentação forçada de animais, foi aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) da Câmara dos Deputados e segue agora para sanção presidencial. O texto prevê a proibição da produção, venda e comercialização de produtos derivados da alimentação forçada, prática utilizada para hipertrofia do fígado de patos e gansos na fabricação do foie gras. O projeto também estabelece penalidades com base na Lei de Crimes Ambientais. A tramitação do PL 90/2020 contou com mobilização de organizações de proteção animal em diferentes etapas do debate legislativo. Entre elas, a Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal atuou em ações de conscientização pública, articulação institucional e apoio à aprovação da proposta no Congresso. A entidade já havia se posicionado publicamente contra a prática da alimentação forçada de aves e acompanhado discussões relacionadas ao foie gras em diferentes esferas legislativas, defendendo que o método configura violação ao bem-estar animal. Para a diretora jurídica do Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal, Ana Paula Vasconcelos, a aprovação do projeto representa um marco na legislação animal brasileira. “Essa aprovação demonstra que o Brasil avança no reconhecimento de práticas incompatíveis com o bem-estar animal. O foie gras depende de um método baseado na alimentação forçada e no sofrimento das aves. O apoio da sociedade civil e a pressão das organizações foram fundamentais para que o tema ganhasse espaço no Congresso”, afirma. O projeto foi apresentado pelo senador Eduardo Girão e já havia sido aprovado pelo Senado Federal antes de avançar na Câmara. A proposta define alimentação forçada como qualquer método mecânico ou manual que induza o animal a ingerir alimento acima de sua capacidade fisiológica natural. Segundo defensores do projeto, a medida aproxima o Brasil de legislações já adotadas em países que restringiram ou proibiram práticas relacionadas ao foie gras por questões de proteção animal.  A expectativa das organizações que acompanharam a tramitação é de que a sanção presidencial consolide uma proibição nacional da prática e estabeleça um novo parâmetro jurídico para debates sobre bem-estar animal e produção alimentícia no país.

Síntese e Murica cantam sobre dualidade entre viver da arte e sobrevivência real em nova faixa “Pelas Verdes, Pelas Rosas”

Single foi construído ao longo de um ano e explora tensão entre viver do rap e o mercado musical, trazendo uma reflexão sobre o cenário independente e propósito artístico Os rappers Síntese e Murica se unem no single “Pelas Verdes, Pelas Rosas”, que será lançado no dia 22 de maio pelo selo EME Cultural, marcando o encontro de duas gerações do rap nacional em uma faixa que atravessa identidade, mercado e sobrevivência artística. Com produção de VG, o single nasceu de forma espontânea durante uma sessão em São Paulo e se desenvolveu ao longo de um processo que atravessou tempo, estrada e reencontros, resultando em uma música que carrega tanto urgência quanto maturidade. “Pelas Verdes, Pelas Rosas” parte de uma tensão central: a relação entre criação artística e sustento financeiro dentro da música. O single propõe um olhar sensível sobre o lugar do artista independente no cenário contemporâneo, atravessado por escolhas constantes entre propósito e sobrevivência. “Essa faixa traz o aspecto guerra da arte e do capital. É sobre manter-se íntegro na sua criação e devoção espiritual à arte e ao mesmo tempo fazer as calculadoras funcionarem nessa indústria”, explica Síntese. Uma construção no tempo A construção do single teve início há um ano no estúdio da EME Cultural, quando os artistas começaram a desenvolver as primeiras ideias juntos. O processo seguiu em diferentes encontros até chegar à sua forma final. “Começou ano passado numa tarde no estúdio da EME. Esboçamos algumas linhas e, conforme o refrão foi tomando forma, seguimos pro estúdio do VG pra continuar o parto da música. O processo terminou no dia do show ‘Síntese & Murica’ em São José dos Campos, numa noite muito especial. Gravamos o que faltava das vozes antes do show e seguimos direto pro palco com a energia desse encontro”, contou Síntese. Mais do que uma colaboração, “Pelas Verdes, Pelas Rosas” representa um encontro construído ao longo de uma jornada. A faixa também carrega um intercâmbio territorial e cultural, conectando diferentes regiões e trajetórias dentro do rap brasileiro. “Eu e Murica nos conhecemos há quase 10 anos. Sempre tivemos uma identificação muito forte, mas nunca tínhamos tido o tempo certo pra criar juntos. E quando aconteceu, foi muito natural”, revela o artista. Musicalmente, a faixa se constrói a partir do rap, com influências que atravessam tradição e contemporaneidade. A produção de VG combina referências do jazz rap noventista com elementos da cultura brasileira. “A gente pode chamar de rap. Um rap brasileiro contemporâneo com todos os ingredientes da tradição e também com os temperos da modernidade. A produção contrasta um sample de jazz rap com intervenções de berimbau e percussões que acentuam esse molho brasileiro”, diz Síntese. A presença do berimbau e as referências à capoeira reforçam a ideia central da música: a dualidade entre luta e movimento, arte e estratégia, tornando a obra repleta de referências e brasilidade. Entre palcos e estradas O videoclipe, dirigido por Jean “Purê” Furquim, acompanha os bastidores do encontro entre os artistas, registrando desde o estúdio até o palco em São José dos Campos. “Nosso irmão Jean captou toda a saga – do estúdio até o palco. Acho que o audiovisual ficou intimista e visceral, à altura da conexão que esse trabalho representa”, celebra. Gravado entre estrada, camarim e apresentação ao vivo, o clipe reforça o caráter humano e direto da colaboração. Assim, “Pelas Verdes, Pelas Rosas” não se apresenta apenas como um lançamento, mas como continuidade de uma trajetória dentro da cultura hip hop brasileira. Entre tradição e reinvenção, a faixa reafirma o rap como espaço de reflexão, troca e permanência, onde a arte segue encontrando caminhos possíveis mesmo dentro das tensões do presente. Sobre Síntese Com 15 anos de trajetória, o Síntese se consolidou como uma das expressões mais autênticas e potentes do rap brasileiro contemporâneo. Desde sua estreia com o aclamado álbum duplo Sem Cortesia — ‘Vagando na Babilônia/Em Busca De Canaã’ (2012), que influenciou toda uma geração e se estabeleceu como um clássico do Rap Nacional, o duo de São José dos Campos construiu uma obra atemporal, profunda e espiritual, que rompe as barreiras do Hip Hop tradicional e dialoga com temas universais como existencialismo, autoconhecimento e fé. Síntese é reconhecido pelo teor intenso e poético das letras, pela particularidade musical e pela autenticidade com que conduz sua contribuição artística, como uma missão. Após o álbum de estreia, Leonardo Irian foi diagnosticado com esquizofrenia e se afastou das atividades do Síntese, o que fez suas aparições serem cada vez mais raras. Neto seguiu representando sozinho o projeto nos trabalhos e shows pelo Brasil. Após a parceria de sucesso com Projetonave e o marco da participação com Criolo em “Plano de Vôo” no álbum e na turnê de ‘Convoque Seu Buda’ (2014), Neto grava o segundo álbum do Síntese com Daniel Ganjaman, ‘Trilha Para o Desencanto da Ilusão, Vol. 1: Amem’ (2016). A turnê ‘Amem’ ultrapassou a marca de 100 shows por ano, nesse período Síntese fura a bolha do Rap Nacional e acessa novos públicos e adeptos da mensagem espiritual de amor, expansão e celebração de consciência dos meninos do Vale. Em 2019 a dupla se reconecta durante uma fase mais tranquila em meio aos tratamentos do Léo e iniciam a produção do terceiro álbum do Síntese. A imersão, como uma arteterapia, representou uma volta às origens do projeto e um momento de re-construção. Então, em 2020, veio ao mundo Ambrosia — ‘Da Morte/Ao Renascimento’, mais um álbum duplo que marca a volta de Léo nas músicas e nos estúdio durante a pandemia. O que gerou grande comoção nos fãs do Síntese e se eternizou como o primeiro vinil de Neto e Léo. Além desses principais álbuns, Síntese coleciona projetos colaborativos importantes por toda a carreira. ‘Buracos Ao Chão’(2013) com o conterrâneo Ingles, ‘Boomshot Apresenta’(2015) com Kiko Dinucci, Thiago França e Akillez e o projeto Olímpico (2024) com SPVIC. Mantendo uma contribuição sólida na cena, reafirmando sua influência e legado na música brasileira. O ano de 2024 foi marcado pela

Nova temporada do “MasterChef Brasil” estreia na Band em clima de Copa do Mundo e com três eliminações

Vinte e quatro competidores encaram a primeira seletiva em busca do avental na próxima terça-feira, às 22h30 A Band estreia na próxima terça-feira (26), às 22h30, a nova temporada do MasterChef Brasil. Em clima de Copa do Mundo, os três árbitros da técnica e do sabor, Erick Jacquin, Helena Rizzo e Henrique Fogaça, apitam a peneira do maior talent show gastronômico do país. Vinte e quatro cozinheiros, vindos de 12 estados diferentes, entram em campo com o pé direito e muita garra para tentar conquistar o tão almejado avental. Divididos em quatro times de seis competidores, eles encaram embates mais emocionantes do que final de torneio. Além de terem de brilhar no meio das equipes, cada um precisa vencer para levar seu grupo adiante. No primeiro confronto, os concorrentes deverão elaborar pratos típicos de países que são referência no futebol mundial: Alemanha, Croácia, Espanha, França, Itália e Portugal. Para ser escalado, não dá para pipocar na frente dos jurados nem enrolar nos preparos porque o relógio é implacável. Só os que se destacarem em estratégia e habilidade avançam para as próximas fases. Os quatro que não conseguirem realçar o “tompero” nos dois tempos de combates, irão para os pênaltis e terão a última chance de seguir na dinâmica. As missões serão separadas em três rounds de 10 minutos e apenas um deles permanecerá na batalha, enquanto os outros três darão adeus à disputa por uma vaga na seleção oficial do programa. Conheça os participantes: Aline Oliveira Dona de casa/ 46 anos/ Belo Horizonte (MG) Mineira obstinada, deixou as profissões de auditora e fotógrafa para se dedicar à maternidade. Com os dois filhos criados, passou a olhar mais para si e se aventurar em uma antiga paixão que ainda bate forte em seu coração: a cozinha. É uma canceriana intensa, dramática, determinada e promete ingressar com tudo na competição mais famosa do Brasil. Carla Araújo Médica de família/ 31 anos/ Petrolina (PE) Nordestina com muito orgulho, é médica por vocação, mas a gastronomia sempre foi algo que ela amou. Nascida na Bahia e moradora de Petrolina, em Pernambuco, é uma mulher que tem a inteligência e a destreza com as panelas como trunfos. Não tem medo de dividir opiniões entre seus oponentes porque seu foco é somente um: levantar a taça de campeã. Everaldo Akihyto Consultor industrial/ 27 anos/ Castanhal (PA) Diretamente do interior do Pará, garante que vai honrar suas raízes no jogo, ou seja, não vai faltar tucupi. Sua inspiração são os homens de seu círculo familiar, cozinheiros natos que ensinaram muito para o concorrente, que reúne heranças maranhenses e japonesas. O jovem adora um treino na academia e vai fazer do bom humor um ingrediente essencial para vencer. Felipe Milk Farmacêutico/ 23 anos/ Cosmópolis (SP) Polivalente, é formado em Farmácia e Engenharia Agronômica, luta judô, pratica natação, desenha, pinta e também se destaca diante do fogão —habilidade que agora o leva à disputa por um avental. O interesse pela gastronomia surgiu no sítio onde cresceu, observando a avó preparar refeições fartas para todos. Agora, pretende embarcar no programa para colocar à prova mais um de seus inúmeros talentos. Gabriel Bortolazi Empresário/ 32 anos/ São Paulo (SP) É sócio de clínicas e empresário de sucesso. Foi criado na Zona Leste da capital paulista e, com ambição e muito trabalho, aos poucos conseguiu desbravar diversos lugares do mundo, uma das suas maiores paixões. Foi durante suas viagens que se apaixonou por esta área e viu nela uma nova jornada a ser trilhada, além de um novo negócio para explorar. Com fama de chato e exigente, terá de testar toda sua bagagem internacional para mostrar que preparos bem feitos podem levá-lo ao pódio. Gabriela Peixoto Obstetra/ 31 anos/ Salvador (BA) Pretende exaltar sua potência criativa e nordestina na maior competição culinária do país. Moradora de Aracaju, é sergipana de coração e divide sua rotina entre plantões de hospitais e o comando das refeições nas festas familiares, onde adquiriu agilidade e confiança para se dedicar a essa nova etapa e trocar temporariamente o jaleco pelo avental. Sensível e idealista, quer dar orgulho à sua mãe e ao estado que representa. Giovana Julian Publicitária/ 25 anos/ São Paulo (SP) Fez carreira no mercado publicitário sempre atrás das câmeras, mas com muitas ideias fervilhantes. Após tanto “vender” o sonho dos outros, entendeu que seu lugar de afeto e autoafirmação era mesmo a cozinha. Desde então, a vida dessa paulistana mudou radicalmente, conciliando a profissão com a criação de conteúdo nas redes sociais. Assumiu para si mesma o lugar de destaque diante do fogão e chega para expor a todos que a transição para este universo é um caminho sem volta. Giovanni Trevisan Engenheiro de produção/ 31 anos/ São Luís (MA) É uma das pessoas mais positivas que já se inscreveram nessas 13 temporadas. Sempre com sorriso no rosto, tem muita história para contar. Estudou e viveu nos Estados Unidos, onde jogava futebol americano. Aliás, é do esporte que tira sua competitividade e garra para encarar os mais diferentes percalços da vida. Hoje morando e trabalhando em sua empresa no Maranhão, chega disposto a derrubar os adversários. Jéssica Cruz Bombeira militar/ 32 anos/ Criciúma (SC) Única mulher em sua turma de formação, está mais do que acostumada a enfrentar ambientes sob pressão, o que indica que um local cheio de homens não a intimida. Disciplinada e estratégica, traz na bagagem a influência da culinária italiana. Vem pronta para apagar os incêndios do talent show mais quente do Brasil e agradar ao paladar dos jurados. Jesuíno Donny Archanjo Estilista/ 60 anos/ Americana (SP) Prometendo entregar muita elegância e bom acabamento em seus pratos, está pronto para abrilhantar a atração. Dono de um ateliê de vestidos de noivas no interior de São Paulo, é autodidata e compete no meio da moda há mais de 40 anos. Agora, aos 60, tem o apoio da esposa e dos filhos para trocar as tesouras pelas facas afiadas. Júlia Pitzer Gamer/ 31 anos/ Rio de Janeiro (RJ) Fanática por videogames