Single foi construído ao longo de um ano e explora tensão entre viver do rap e o mercado musical, trazendo uma reflexão sobre o cenário independente e propósito artístico
Os rappers Síntese e Murica se unem no single “Pelas Verdes, Pelas Rosas”, que será lançado no dia 22 de maio pelo selo EME Cultural, marcando o encontro de duas gerações do rap nacional em uma faixa que atravessa identidade, mercado e sobrevivência artística. Com produção de VG, o single nasceu de forma espontânea durante uma sessão em São Paulo e se desenvolveu ao longo de um processo que atravessou tempo, estrada e reencontros, resultando em uma música que carrega tanto urgência quanto maturidade.
“Pelas Verdes, Pelas Rosas” parte de uma tensão central: a relação entre criação artística e sustento financeiro dentro da música. O single propõe um olhar sensível sobre o lugar do artista independente no cenário contemporâneo, atravessado por escolhas constantes entre propósito e sobrevivência. “Essa faixa traz o aspecto guerra da arte e do capital. É sobre manter-se íntegro na sua criação e devoção espiritual à arte e ao mesmo tempo fazer as calculadoras funcionarem nessa indústria”, explica Síntese.
Uma construção no tempo
A construção do single teve início há um ano no estúdio da EME Cultural, quando os artistas começaram a desenvolver as primeiras ideias juntos. O processo seguiu em diferentes encontros até chegar à sua forma final. “Começou ano passado numa tarde no estúdio da EME. Esboçamos algumas linhas e, conforme o refrão foi tomando forma, seguimos pro estúdio do VG pra continuar o parto da música. O processo terminou no dia do show ‘Síntese & Murica’ em São José dos Campos, numa noite muito especial. Gravamos o que faltava das vozes antes do show e seguimos direto pro palco com a energia desse encontro”, contou Síntese.
Mais do que uma colaboração, “Pelas Verdes, Pelas Rosas” representa um encontro construído ao longo de uma jornada. A faixa também carrega um intercâmbio territorial e cultural, conectando diferentes regiões e trajetórias dentro do rap brasileiro. “Eu e Murica nos conhecemos há quase 10 anos. Sempre tivemos uma identificação muito forte, mas nunca tínhamos tido o tempo certo pra criar juntos. E quando aconteceu, foi muito natural”, revela o artista.
Musicalmente, a faixa se constrói a partir do rap, com influências que atravessam tradição e contemporaneidade. A produção de VG combina referências do jazz rap noventista com elementos da cultura brasileira. “A gente pode chamar de rap. Um rap brasileiro contemporâneo com todos os ingredientes da tradição e também com os temperos da modernidade. A produção contrasta um sample de jazz rap com intervenções de berimbau e percussões que acentuam esse molho brasileiro”, diz Síntese.
A presença do berimbau e as referências à capoeira reforçam a ideia central da música: a dualidade entre luta e movimento, arte e estratégia, tornando a obra repleta de referências e brasilidade.
Entre palcos e estradas
O videoclipe, dirigido por Jean “Purê” Furquim, acompanha os bastidores do encontro entre os artistas, registrando desde o estúdio até o palco em São José dos Campos.
“Nosso irmão Jean captou toda a saga – do estúdio até o palco. Acho que o audiovisual ficou intimista e visceral, à altura da conexão que esse trabalho representa”, celebra.
Gravado entre estrada, camarim e apresentação ao vivo, o clipe reforça o caráter humano e direto da colaboração. Assim, “Pelas Verdes, Pelas Rosas” não se apresenta apenas como um lançamento, mas como continuidade de uma trajetória dentro da cultura hip hop brasileira. Entre tradição e reinvenção, a faixa reafirma o rap como espaço de reflexão, troca e permanência, onde a arte segue encontrando caminhos possíveis mesmo dentro das tensões do presente.
Sobre Síntese
Com 15 anos de trajetória, o Síntese se consolidou como uma das expressões mais autênticas e potentes do rap brasileiro contemporâneo. Desde sua estreia com o aclamado álbum duplo Sem Cortesia — ‘Vagando na Babilônia/Em Busca De Canaã’ (2012), que influenciou toda uma geração e se estabeleceu como um clássico do Rap Nacional, o duo de São José dos Campos construiu uma obra atemporal, profunda e espiritual, que rompe as barreiras do Hip Hop tradicional e dialoga com temas universais como existencialismo, autoconhecimento e fé.
Síntese é reconhecido pelo teor intenso e poético das letras, pela particularidade musical e pela autenticidade com que conduz sua contribuição artística, como uma missão. Após o álbum de estreia, Leonardo Irian foi diagnosticado com esquizofrenia e se afastou das atividades do Síntese, o que fez suas aparições serem cada vez mais raras. Neto seguiu representando sozinho o projeto nos trabalhos e shows pelo Brasil.
Após a parceria de sucesso com Projetonave e o marco da participação com Criolo em “Plano de Vôo” no álbum e na turnê de ‘Convoque Seu Buda’ (2014), Neto grava o segundo álbum do Síntese com Daniel Ganjaman, ‘Trilha Para o Desencanto da Ilusão, Vol. 1: Amem’ (2016). A turnê ‘Amem’ ultrapassou a marca de 100 shows por ano, nesse período Síntese fura a bolha do Rap Nacional e acessa novos públicos e adeptos da mensagem espiritual de amor, expansão e celebração de consciência dos meninos do Vale.
Em 2019 a dupla se reconecta durante uma fase mais tranquila em meio aos tratamentos do Léo e iniciam a produção do terceiro álbum do Síntese. A imersão, como uma arteterapia, representou uma volta às origens do projeto e um momento de re-construção. Então, em 2020, veio ao mundo Ambrosia — ‘Da Morte/Ao Renascimento’, mais um álbum duplo que marca a volta de Léo nas músicas e nos estúdio durante a pandemia. O que gerou grande comoção nos fãs do Síntese e se eternizou como o primeiro vinil de Neto e Léo.
Além desses principais álbuns, Síntese coleciona projetos colaborativos importantes por toda a carreira. ‘Buracos Ao Chão’(2013) com o conterrâneo Ingles, ‘Boomshot Apresenta’(2015) com Kiko Dinucci, Thiago França e Akillez e o projeto Olímpico (2024) com SPVIC. Mantendo uma contribuição sólida na cena, reafirmando sua influência e legado na música brasileira.
O ano de 2024 foi marcado pela partida prematura de Leonardo Irian, o que gerou um extremo impacto e uma profunda comoção não só entre a família e os irmãos da Matrero, em São José, mas em toda a comunidade que a obra do Léo atravessou, sendo homenageado pelos maiores da cena como o grande poeta da geração.
Essa perda trouxe a necessidade de celebrar a vida do Léo e a história da dupla. Mais uma vez a música foi a salvação. O single “Giramundo 2” veio como a primeira homenagem, que foi oferecida ainda em vida, e acompanhou um vídeo intimista com cenas da vida toda de Neto e Léo juntos. “Luzes” inaugurou uma nova atmosfera do Síntese, trazendo um audiovisual com o registro da cerimônia de despedida do mestre Leonardo Irian e dando o tom de celebração do novo álbum Flor de Maio (2025) e da nova era de Gestério Neto e do Síntese.
Sobre a EME Cultural
A EME Cultural é uma produtora dedicada a valorizar a expressão artística, promovendo shows e lançamentos musicais que conectam pessoas, fortalecem cenas e expandem as fronteiras da cultura e da música. Além disso, atua na gestão e empresariamento de carreira de cada artista, respeitando seus conceitos, trajetórias e individualidades no mercado.
@emecultural | www.emecultural.com
