Empresa já cota viagem em mais de uma agência, mas ainda perde dinheiro, mostra pesquisa

Patrick Tytgadt, Especialista em Travel Tech e Gestão de Viagens Corporativas

Pesquisa da Loupit com 164 empresas revela que comparar preço sem processo auditável não garante economia

Uma pesquisa da Loupit com 164 empresas brasileiras mostrou que 71% já cotam viagens corporativas em mais de uma fonte antes de fechar a compra. À primeira vista, o dado indica que o mercado corporativo já entendeu a importância de comparar preço. Na prática, porém, o resultado dessa comparação costuma se perder no caminho.

Segundo o mesmo levantamento, a comparação é feita por e-mail, telefone e planilha, fora de qualquer sistema, sem registro auditável e sem garantia de que aconteceu em todas as compras. Do ponto de vista de governança, é como se a comparação não existisse.

Foi esse o problema enfrentado pelo Grupo Inttra antes de revisar o processo de compra de viagens corporativas. “Nossa agência anterior foi escolhida porque tinha a menor taxa de transação entre as concorrentes. Só que em nenhum momento tivemos acesso ao preço das viagens, que é onde estão os outros 99% do valor”, conta Romero Ribeiro, Gerente de Compras do Grupo Inttra.

A solução adotada pela empresa foi estruturar a comparação dentro do marketplace de viagens corporativas da Loupit, no qual várias agências homologadas cotam, simultaneamente, cada solicitação de viagem, com o histórico de ofertas e escolhas registrado dentro da própria plataforma.

A Loupit é uma travel tech brasileira de gestão de viagens e despesas corporativas. “O processo de compra tradicional negocia apenas o fee da agência, e o fee é cerca de 1% do que a empresa gasta com viagem”, diz Patrick Tytgadt, fundador e CEO da empresa. “O marketplace coloca em disputa os 100%, a cada pedido. É por isso que o resultado aparece rápido: não é uma economia de negociação, é uma economia de mercado”.

O movimento lembra o que já aconteceu no turismo de lazer, quando os metabuscadores se consolidaram e passaram a organizar a comparação entre companhias aéreas e redes hoteleiras. A compra corporativa ficou de fora dessa virada porque depende de política, alçada, centro de custo e prestação de contas, o que exige que a comparação venha acompanhada de conformidade, não isolada dela.

O efeito, no caso do Grupo Inttra, apareceu já no primeiro ciclo de faturamento: queda de 31% no ticket médio das viagens emitidas e cerca de R$ 1 milhão de economia no primeiro mês de operação, sem troca de fornecedor único e sem alteração na política de viagens da empresa.

“Depois de meses rodando, descobrimos que as tarifas que pagávamos eram muito mais caras do que as das agências que tinham perdido o bid pela taxa. Ficou claro que escolher fornecedor olhando para 1% do gasto não fazia o menor sentido”, afirma Ribeiro.

O mercado brasileiro de viagens corporativas movimentou cerca de R$ 147,8 bilhões em 2025, segundo a Abracorp, associação que reúne parte relevante das agências do setor, com 5,4 milhões de passagens aéreas e 10,2 milhões de diárias de hotel emitidas no período. Para empresas que já tentam comparar preço por conta própria, o caso do Grupo Inttra mostra que o ganho só se converte em economia real quando a comparação acontece dentro de um processo estruturado, e não apenas como boa intenção do comprador ao cotar com uma agência de viagens corporativas diferente a cada vez.

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