O equipamento em construção às margens do Lago Corumbá IV coloca o estado numa disputa que sempre foi do litoral: a de destino de esporte na água.
Goiás nunca teve mar, e nem por isso vai ficar de fora do surfe. Em Abadiânia, no entorno do Lago Corumbá IV, está sendo erguida a maior piscina de ondas do Brasil, dentro do Surf Club da Fazenda do Lago, empreendimento do Grupo CPR que ocupa 3 milhões de metros quadrados às margens do reservatório.
Para o estado, o dado tem peso simbólico e econômico. Equipamentos dessa escala costumam nascer em capitais litorâneas ou em polos turísticos consolidados. A escolha por Abadiânia, município goiano a 1h10 de Brasília, 50 minutos de Anápolis e 1h40 de Goiânia, aposta na posição do interior goiano como ponto de encontro das duas maiores capitais do Centro-Oeste, com acesso totalmente asfaltado pela BR-060.
A onda artificial resolve o que o mapa não deu: previsibilidade. Sem depender de swell ou estação, a piscina entrega onda constante o ano inteiro, o que muda o perfil de uso. Em vez de esporte de viagem, o surfe vira rotina de fim de semana para quem vive no eixo Brasília-Anápolis-Goiânia.
“A piscina de ondas não é um equipamento de lazer, é uma declaração de intenção. Ela diz ao que o projeto veio: trazer para o cerrado experiências que antes exigiam avião”, Marlon Ceni, CEO do Grupo CPR
O Surf Club é um dos quatro clubes autorais do empreendimento, ao lado de SPA, Marina e Golf Course, num programa que soma 19 amenidades. A lógica declarada do projeto é usar infraestrutura extraordinária para criar destino onde antes havia só paisagem: o Corumbá IV, com 170 km² de espelho d’água, deixa de ser cenário e passa a ser programa.
Se a aposta se confirmar, Goiás ganha algo que nenhum outro estado sem litoral tem em escala: um endereço de surfe. E o interior goiano, que já se acostumou a exportar gente para o lazer das capitais, passa a fazer o caminho inverso.