PMEs podem obter certificação ESG sem estrutura de multinacional

Daniel Maximilian Da Costa, founder e CEO da LAQI

Framework do LAQI foi desenhado para avaliar maturidade de PMEs latino-americanas sem exigir departamentos dedicados a ESG

Pequenas e médias empresas que querem comprovar maturidade em qualidade, sustentabilidade e governança não precisam replicar a estrutura de uma multinacional para isso, segundo o LAQI (Latin American Quality Institute). A instituição desenvolveu um framework de certificação, o LAQI Q-ESG Certification, pensado para organizações que ainda não têm departamentos dedicados a ESG, compliance ou sustentabilidade.

“Uma PME não pode ser avaliada como se tivesse a estrutura de uma multinacional. Precisamos de modelos proporcionais, mas que não sejam superficiais. A maturidade pode ser medida considerando o porte e a realidade da organização, sem abrir mão de critérios objetivos”, afirma Daniel Maximilian Da Costa, founder e CEO da LAQI.

Como funciona a avaliação

O framework avalia quatro dimensões, Qualidade, Ambiental, Social e Governança, com 20 indicadores no total e peso de 25% para cada eixo. A pontuação final vai de 0 a 100 e organiza a empresa em um dos quatro níveis de reconhecimento: Compromisso, de 50 a 69 pontos; Certificado, de 70 a 84; Avançado, de 85 a 94; e Platinum, de 95 a 100. Cada dimensão tem também uma pontuação mínima própria, o que impede que uma nota alta em uma área compense uma fragilidade grave em outra.

No eixo de qualidade entram padronização de processos, satisfação de clientes e indicadores operacionais. Na dimensão ambiental, o modelo observa gestão de resíduos, eficiência energética e hídrica e monitoramento de impactos. O eixo social cobre segurança, diversidade, desenvolvimento profissional e relação com comunidades, e a governança reúne controles internos, gestão de riscos, transparência e conformidade.

Proporcionalidade sem perder rigor

Segundo o LAQI, a proposta busca responder a uma característica do mercado latino-americano: empresas de diferentes portes enfrentam exigências cada vez maiores de clientes, investidores e cadeias globais de fornecimento, mas nem todas têm recursos para estruturar uma área específica de ESG, especialmente em meio aos avanços tecnológicos do setor.

Para Da Costa, criar uma régua comum de maturidade pode ajudar pequenas e médias empresas a se posicionar diante de mercados e parceiros maiores. “A América Latina tem uma enorme diversidade empresarial. Criar referências comuns ajuda a transformar boas práticas em evidências que possam ser compreendidas por clientes, parceiros, investidores e outros mercados”, finaliza o executivo.

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