Herpes-zóster exige atenção e vacinação para prevenir sequelas graves e dores

Os médicos Marco Orsini e Maria del Pilar Biot alertam para a importância da prevenção

Os médicos Marco Orsini e Maria del Pilar Biot chamam a atenção para a importância das campanhas de vacinação contra o vírus da varicela-zóster e para os riscos associados à reativação do vírus responsável pela catapora. Uma das complicações mais conhecidas em pessoas que já tiveram contato com o vírus da varicela é o herpes-zóster, popularmente conhecido como cobreiro. A doença vai muito além de uma simples manifestação na pele, pois o vírus permanece no organismo e pode voltar a se manifestar, atingindo nervos periféricos e provocando complicações que, em determinadas situações, podem comprometer de forma significativa a saúde e a qualidade de vida dos pacientes. O risco é especialmente relevante entre pessoas mais velhas e indivíduos com condições que podem comprometer a resposta imunológica.

Entre as principais complicações está a Neuralgia Pós-Herpética (NPH), considerada uma das manifestações mais comuns e incapacitantes associadas ao herpes-zóster. A condição é caracterizada por uma dor crônica, intensa e persistente, que pode ser descrita pelos pacientes como queimação, pontadas ou choques elétricos e permanece na região afetada por mais de 90 dias após a cicatrização das lesões cutâneas. Em alguns casos, a dor pode persistir durante meses ou até anos, interferindo diretamente no sono, nas atividades cotidianas e na qualidade de vida. O impacto também pode alcançar a saúde mental, favorecendo o surgimento ou agravamento de quadros de ansiedade e depressão, principalmente entre idosos que passam a conviver diariamente com uma dor de difícil controle.

“O herpes-zóster pode provocar uma das dores mais difíceis de tratar, especialmente quando evolui para a neuralgia pós-herpética. O problema é que, mesmo depois de a pele cicatrizar, o paciente pode continuar sentindo dor intensa por um período prolongado. Por isso, o diagnóstico precoce e o início rápido do tratamento são fundamentais para reduzir o risco de complicações e acompanhar a evolução clínica de cada paciente”, afirma o médico Marco Orsini. O tratamento deve ser iniciado de acordo com a avaliação médica e, quando indicado, envolve medicamentos específicos, além de acompanhamento clínico para observar a resposta do organismo e identificar precocemente eventuais complicações.

Outra situação que exige atenção ocorre quando o vírus atinge o ramo oftálmico do nervo trigêmeo, dando origem ao herpes-zóster oftálmico. De acordo com Maria del Pilar Biot, nessa situação o vírus pode comprometer estruturas próximas aos olhos e provocar consequências potencialmente graves para a visão. A presença de feridas na lateral ou na ponta do nariz é um importante sinal de alerta, pois está associada a maior risco de envolvimento ocular. A infecção pode provocar conjuntivite, úlceras na córnea, também chamadas de ceratite, além de glaucoma secundário. Em situações graves e sem tratamento adequado, as lesões podem provocar danos permanentes e até perda definitiva da visão.

“O herpes-zóster oftálmico precisa ser encarado com muita atenção, porque o envolvimento do nervo trigêmeo pode alcançar estruturas oculares e deixar consequências permanentes. Lesões próximas ao nariz, principalmente na lateral ou na ponta, devem servir como um alerta para a necessidade de avaliação médica rápida. Quanto mais cedo o paciente for avaliado e receber o tratamento adequado, maiores são as possibilidades de evitar complicações que podem comprometer a visão”, explica Maria del Pilar Biot.

A reativação do vírus também pode atingir nervos relacionados à audição e aos movimentos faciais, provocando a Síndrome de Ramsay Hunt e paralisia facial. Nesses casos, o quadro pode apresentar dor intensa no ouvido, surgimento de bolhas no canal auditivo, tontura, perda de audição e paralisia dos músculos de um dos lados do rosto. A alteração facial pode ser temporária, mas também pode se tornar permanente quando o comprometimento é grave ou quando o tratamento não é iniciado rapidamente. Por esse motivo, sintomas neurológicos, auditivos ou faciais associados a lesões compatíveis com herpes-zóster devem ser avaliados com urgência.

Maria del Pilar Biot e a pesquisadora Eduarda Iennaco de Moraes Barbosa também chamam atenção para a possibilidade de infecções bacterianas secundárias. As lesões provocadas pelo herpes-zóster podem formar bolhas que se rompem e deixam a pele exposta, criando uma porta de entrada para bactérias. “As bolhas abertas na pele servem como porta de entrada para bactérias. Isso pode causar infecções bacterianas graves nas feridas, como celulite infecciosa, erisipela ou abscessos, retardando a cicatrização e aumentando as chances de deixar cicatrizes profundas”, alertam.

Além das complicações localizadas, existe preocupação com situações em que o vírus se dissemina ou compromete estruturas do sistema nervoso central. Embora sejam manifestações menos frequentes, elas podem apresentar elevada gravidade e demandar atendimento médico imediato. Marco Orsini destaca a experiência clínica com casos de comprometimento neurológico relacionados à doença. “Já atendemos casos de encefalite pós-herpética bem graves”, afirma o médico, reforçando que o herpes-zóster não deve ser tratado como uma condição exclusivamente dermatológica. A ocorrência de confusão mental, alterações neurológicas, convulsões ou mudanças importantes no estado de consciência durante ou após a infecção deve ser considerada sinal de alerta.

Diante dos riscos, os especialistas reforçam que a prevenção ocupa papel central no enfrentamento do herpes-zóster. A vacinação é apontada como uma das principais estratégias para reduzir a possibilidade de desenvolvimento da doença e de suas complicações. Além da prevenção por meio da imunização, o reconhecimento rápido dos sintomas é essencial para que o paciente seja avaliado e, quando indicado, receba medicamentos antivirais. O início do tratamento nas primeiras 72 horas após o surgimento das lesões é considerado especialmente importante para aumentar a eficácia da abordagem e reduzir a possibilidade de complicações.

As campanhas de vacinação também têm papel relevante na conscientização da população, especialmente entre os grupos para os quais o risco de complicações pode ser maior. A orientação é que cada pessoa converse com um profissional de saúde para verificar a indicação da vacina, considerando idade, histórico clínico e eventuais contraindicações. Pessoas que não podem receber a imunização por contraindicações absolutas ou relativas permanecem mais vulneráveis e precisam de acompanhamento individualizado para reduzir outros fatores de risco e buscar atendimento rapidamente diante dos primeiros sinais da doença.

O alerta dos especialistas reforça, portanto, que o herpes-zóster exige uma abordagem que considere não apenas as lesões visíveis na pele, mas também a possibilidade de comprometimento dos nervos, olhos, ouvido, músculos faciais e, em casos graves, do sistema nervoso central. A prevenção por meio da vacinação, aliada ao reconhecimento precoce dos sintomas e ao início rápido do tratamento quando indicado, pode fazer diferença na evolução do quadro. Para Marco Orsini, Maria del Pilar Biot e Eduarda Iennaco de Moraes Barbosa, ampliar a informação sobre a doença é uma forma de estimular a população a procurar orientação médica no momento adequado e reduzir o impacto de complicações que podem persistir por meses, anos ou até deixar sequelas permanentes.

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