Alta do ouro reacende debate sobre concentração patrimonial em economias emergentes

Em meio às incertezas da economia global, o ouro voltou a ocupar o centro das atenções dos investidores. Em 2026, o metal precioso ultrapassou pela primeira vez a marca de US$ 5 mil por onça, consolidando uma valorização histórica iniciada em 2024 e intensificada ao longo de 2025.

O movimento vai muito além da oscilação de mercado. Bancos centrais de países como China, Índia e Turquia ampliaram significativamente suas reservas em ouro, em uma estratégia para diversificar ativos e reduzir a dependência do dólar. De acordo com o World Gold Council, somente até outubro de 2025 as compras líquidas dessas instituições chegaram a 254 toneladas, reforçando o papel do metal como um dos principais ativos de proteção em momentos de instabilidade.

Para o investidor brasileiro, o cenário também chama atenção. Com juros elevados, desafios fiscais e a aproximação do período eleitoral, cresce o interesse por investimentos capazes de oferecer maior segurança diante das oscilações econômicas.

Segundo Adriano Murta, advogado tributarista e especialista em investimentos internacionais, a forte valorização do ouro reflete uma combinação de fatores econômicos e geopolíticos.

“Em momentos de maior incerteza, investidores costumam buscar ativos considerados mais seguros, e o ouro historicamente desempenha esse papel. A valorização recente demonstra que o mercado continua enxergando o metal como uma importante ferramenta de preservação de valor”, explica.

Outro fator que fortalece essa tendência é o aumento do endividamento das grandes economias. Projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI) indicam que a dívida pública média dos países do G20 poderá superar 120% do Produto Interno Bruto (PIB) até 2028, cenário que amplia a procura por ativos menos dependentes das políticas monetárias de governos.

Apesar do momento favorável ao ouro, Adriano Murta faz um alerta para quem pensa em concentrar seus investimentos apenas nesse ativo. Segundo ele, o metal deve cumprir uma função estratégica dentro de uma carteira diversificada, e não substituir aplicações voltadas ao crescimento patrimonial.

“O ouro é um instrumento de proteção e redução de riscos. O equilíbrio entre ativos de crescimento, renda e proteção continua sendo a melhor estratégia para atravessar períodos de volatilidade”, destaca.

Com mais de duas décadas de atuação no mercado financeiro internacional, Adriano Murta é fundador da M&P Capital Investments, empresa especializada em consultoria para investimentos financeiros e imobiliários nos Estados Unidos.

Em um cenário global marcado por incertezas econômicas e tensões geopolíticas, o desempenho do ouro reforça uma velha máxima do mercado: em tempos de turbulência, ativos considerados seguros voltam a ganhar protagonismo.

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