Diretrizes da American Heart Association reforçam protagonismo dos vegetais na prevenção de doenças cardiovasculares

Novo posicionamento da American Heart Association destaca alimentação rica em vegetais como estratégia essencial para reduzir riscos cardíacos e promover qualidade de vida

Um novo posicionamento da American Heart Association (AHA) reacende o debate global sobre o papel da alimentação na prevenção de doenças cardiovasculares — principal causa de morte nos Estados Unidos, responsável por cerca de 920 mil óbitos anuais, o equivalente a uma em cada três mortes no país.

Com base em mais de um século de atuação e mais de 6 bilhões de dólares investidos em pesquisa científica, a entidade reforça que suas diretrizes alimentares não representam opinião, mas sim um consenso consolidado da ciência. O documento é categórico ao recomendar um padrão alimentar centrado em alimentos de origem vegetal, com prioridade para proteínas vegetais, como leguminosas, grãos e oleaginosas, além da substituição de proteínas animais como estratégia de redução de risco cardiovascular.

As recomendações também destacam a necessidade de limitar o consumo de carne vermelha e processada, reduzir a ingestão de gorduras saturadas e priorizar gorduras insaturadas provenientes de sementes, oleaginosas e óleos vegetais.

Para a nutricionista Alessandra Luglio, chefe do departamento de nutrição da Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB), o direcionamento da AHA representa um marco importante na consolidação da alimentação baseada em vegetais como estratégia de saúde pública.

“Quando uma entidade como a American Heart Association publica uma diretriz alimentar, estamos falando de um consenso de décadas de ciência. Não é apenas incluir vegetais, é reposicionar o eixo da alimentação, colocando os alimentos de origem vegetal como protagonistas. Isso tem impacto direto na prevenção de doenças cardiovasculares”, afirma Alessandra Luglio.

Apesar da clareza das recomendações da AHA, o debate ganha novos contornos diante das recentes diretrizes alimentares do governo norte-americano, o Dietary Guidelines for Americans 2025–2030, que seguiram uma abordagem considerada mais flexível em relação ao consumo de proteínas de origem animal, incluindo carne vermelha e laticínios integrais.

Segundo Luglio, a divergência evidencia um ponto central: a qualidade da proteína consumida. “Proteína não é apenas proteína. As fontes vegetais vêm acompanhadas de fibras, compostos bioativos e um perfil lipídico mais favorável. Já muitas fontes animais, especialmente as ricas em gordura saturada, podem contribuir para o aumento do risco cardiovascular”, explica.

Ainda que ambos os guias reforcem a importância de reduzir alimentos ultraprocessados, a diferença no protagonismo dado aos alimentos de origem vegetal levanta questionamentos sobre os critérios que orientam políticas públicas alimentares.

Para especialistas, o consenso científico segue apontando para um modelo alimentar cardioprotetor baseado na predominância de vegetais, na substituição de alimentos de origem animal ricos em gordura saturada e na melhora da qualidade global da dieta — um caminho cada vez mais respaldado pela ciência e por instituições de referência em saúde.

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