Em palestra realizada em Goiânia, para celebrar o lançamento da sede física do Grupo BLB em Goiânia, a jornalista apresentou os pilares da economia externa, interna e os avanços tecnológicos no agro
As margens mais apertadas têm afligido o agronegócio, mas o setor vai continuar crescendo mesmo diante das intensas movimentações geopolíticas e das mudanças internas da economia. Para colher os bons resultados, é importante que o setor acompanhe atentamente o novo cenário que se forma. Esta foi a mensagem da jornalista especializada no setor, Kellen Severo, que nesta semana veio a Goiânia a convite do Grupo BLB para conversar com um seleto grupo de empresários.
“A geopolítica importa porque o agro é o setor mais internacionalizado que existe”, destacou. “Desconsiderar os eventos geopolíticos no planejamento futuro é um risco para os diferentes negócios do agro, porque eles mudam o patamar de preço e de de custo com uma rapidez muito grande, muitas vezes a ponto de inviabilizar alguns negócios. Se nós estivermos preparados e pensando antecipadamente sobre isso, a chance de melhorar as nossas decisões e diminuir erros é bem maior”, completou.
O Brasil deve colher um novo volume recorde de grãos em 2026, podendo chegar a 356 milhões de toneladas, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB). Já o Valor Bruto de Produção (VBP) recuará para 1,38 trilhão, após ter atingido R$ 1,44 trilhão em 2025, segundo dados referentes a março do Ministério de Agricultura.
“O cenário do agro brasileiro está passando por margens mais estreitas, ainda assim, é o setor que vai continuar puxando o crescimento da economia do país”, disse a jornalista. “Mas é preciso conscientizar que o que te trouxe até aqui pode não te levar mais adiante”, observou.
Kellen Severo, que possui passagem pela Jovem Pan News e Canal Rural, fez um rápido resumo dos últimos meses, em que o agro brasileiro foi impactado pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos (EUA) em várias commodities, está tendo de lidar com a limitação de compra da carne pela China – que está protegendo seu mercado interno. Pelo mesmo motivo, salientou a jornalista, a União Europeia vetou a carne brasileira de seu mercado.
Apesar das decisões desfavoráveis, há outros movimentos que equalizam a balança, como a reserva brasileira de terras raras, o uso da soja na produção dos biocombustíveis para diminuir os impactos da guerra entre o Irã e EUA, a crescente valorização da proteína pela sociedade, especialmente com o advento das canetas emagrecedoras que evidenciou a importância deste nutriente na alimentação e, sobretudo, pela elementar necessidade por comida. “O limite de todas as medidas protecionistas é o custo de vida da população. Se elas elevarem o valor do alimento, não se sustentarão. Este é o ponto”, arrematou.
A jornalista também trouxe aspectos da economia interna que afetam o produtor, como as mudanças tributárias, a inflação elevada pelos gastos do setor público, a intempéries climáticas – como a possibilidade de um super El Niño, que pode diminuir a produtividade e elevar os preços das commodities – e a evolução tecnológica da inteligência artificial e até mesmo com a chegada dos robôs humanóides ao campo.
Expansão ao Centro-Oeste
Kellen Severo veio a Goiânia a convite do Grupo BLB, que realizou o evento para oficializar a abertura de sua unidade em Goiânia. Originária de Ribeirão Preto (SP), a empresa, voltada a auditoria independente, consultoria tributária, educação executiva e fusões e aquisições (m&a), para médias e grandes empresas, com destaque no setor agro. Conta com 23 anos de história e atende clientes de 17 estados brasileiros.
“Goiás é um estado próspero. Além da logística centralizada, temo acontecido um deslocamento de maior desenvolvimento do agronegócio nessa região”. Foi o que nos motivou a nos instalar aqui”, disse o sócio-fundador e CEO do grupo, Rodrigo Barbeti, cujo propósito é agregar à cultura da gestão no meio agro. “Em todo País, a gente percebe que o produtor está mais preocupado com a produtividade e a boa negociação, o que não está errado, porém o fluxo de caixa, os níveis de endividamento, as questões tributárias e sucessórias, acabam ficando sempre em segundo plano. E é justamente a forma como lidar com essas questões que tem feito a diferença no crescimento dos grandes players”, acentuou.
A noite foi realizada no restaurante Voya, e contou com a presença de diversos representantes classistas como Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg), Associação Pró-Desenvolvimento Industrial do Estado de Goiás (Adial), Grupo de Líderes Empresariais (Lide Goiás) Conselho Regional de Contabilidade (CRC-GO). A sede do Grupo BLB em Goiânia fica no Setor Bueno, no Edifício Focus Business.
